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Em viagem para pescaria em Itacaiú-MT (Divisa com GO), nos deparamos com uma comitiva sendo transportada na GO-173 entre as cidades de Britânia e Santa Fé de Goiás Contraste bacana entre o passado e atualidade Momento único que a globalização ainda não conseguiu interromper (...) A longa viagem dos peões Ao som choroso do berrante, as últimas comitivas de boiadeiros resistem nas estradas da Serra da Bodoquena Quando Mário Silvério Camargo acorda, os pássaros ainda não piaram Quando pula da rede espichada entre dois pedaços de pau, a boiada é um mar ondulado e obediente à espera do sol e do homem São 3 horas da madrugada na Serra da Bodoquena, ao sul do Pantanal, na vastidão de Mato Grosso do Sul Mário desperta sem preguiça e sem tristeza para a única vida que conhece: a das comitivas de boiadeiros É um homem pequeno, pouco mais de metro e meio de altura, mas dono de um sorriso gigante e de mãos abençoadas Tem 47 anos e orgulha-se de ser o cozinheiro da comitiva Quando o patrão levanta, Mário já lhe alcança a guampa de boi Nela descansa o tererê, o mate frio dos boiadeiros Assim começa o dia Não um, mas todos, na existência dos homens que tocam o maior rebanho bovino do Brasil Eles seguem a trilha das fazendas de gado da região ao som do berrante Os gemidos do instrumento feito de chifre marcam o ritmo do homem e da boiada, um preso ao outro por arreios invisíveis que duram o tempo de uma vida Os boiadeiros acordam antes do sol, dormem sob as estrelas <b>...</b> |
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